Uma carta do FDA a um membro do congresso que diz que a organização está desprovida de pessoal e apenas tem os recursos para verificar uma pequena fração das importações de cosméticos nos EUA está causando alarme.
 
A carta foi dirigida ao representante Frank Pallone Jr., democrata de Nova Jersey e responde às preocupações levantadas por Pallone em uma carta que enviou seis meses antes sobre produtos de cuidados pessoais importados.
 
Na carta, o FDA afirma que, embora todos os produtos cosméticos e de cuidados pessoais importados sejam obrigados a cumprir os mesmos padrões que os produtos produzidos no país, seu programa para verificar esses produtos é um dos menores.
 
Pequena porcentagem de importações sendo verificadas
 
A carta continua afirmando que havia mais de 2,9 milhões de linhas de entrada que declararam produtos cosméticos e de cuidados pessoais importados para o país em 2016, mas apenas 9 871 foram verificados fisicamente.
 
Esses produtos vieram de 181 países diferentes e representaram 29 mil empresas estrangeiras, enquanto o FDA possui apenas seis funcionários em tempo integral dedicados a verificar essas importações.
 
"O FDA tem recursos limitados para examinar cosméticos importados", afirma a carta.
 
New York Times liga o foco
 
A carta foi posteriormente publicada no New York Times na semana passada, com o artigo enfatizando que, embora o FDA esteja encontrando uma quantidade significativa de violações na pequena porcentagem de importações que verifica, os recursos da agência significam que há pouco que ela possa fazer.
 
Um ponto de preocupação é a taxa de violações no pequeno número de linhas de embarque que o FDA verificou. O FDA admitiu que, das importações de cosméticos para os EUA em 2016 que foram verificadas, houve uma taxa particularmente alta de violações, causando preocupações com os grupos de defesa dos consumidores.
 
Das 9 871 linhas de cosméticos que foram verificadas pela equipe do FDA, 1,474 tiveram violações, uma taxa de 15%. Do mesmo modo, 364 linhas de produtos foram retiradas para amostragem de laboratório, com 73 resultando em achados adversos, uma taxa de 20%.
 
A maioria dos produtos contaminados veio da China, com as violações mais comuns sendo corantes ilegais ou contaminação microbiana.
 
A Lei de Segurança dos Produtos de Cuidados Pessoais é a resposta?
 
"O FDA não tem autoridade e recursos para enfrentar os riscos de saúde pública que os cosméticos podem representar", afirmou o Grupo de Trabalho Ambiental (EWG) em uma resposta oficial à carta.
 
"Enquanto a agência pode inspecionar cosméticos importados, os fabricantes estrangeiros atualmente não têm nenhuma obrigação de informar ao FDA onde estão localizados, quais os produtos que eles estão fazendo ou quais os ingredientes que eles estão usando".
 
O EWG acredita que a Lei de Segurança de Produtos de Higiene Pessoal recentemente introduzida será a resposta a este problema porque obrigaria as empresas estrangeiras a se inscreverem no FDA, ao mesmo tempo em que cobraria taxas que poderiam aumentar os recursos da agência para verificar produtos cosméticos e de cuidados pessoais importados.
 
Fonte: Cosmetics Design