Motivado pela alta demanda do setor de cosméticos e pela preocupação com os níveis de cobre, chumbo e zinco nos produtos, Lucas Vinícius de Faria desenvolveu a sua dissertação de mestrado na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A pesquisa mostrou que, na contramão do restante da economia, a indústria de cosméticos apresentou um crescimento de 11,4% nos últimos 20 anos, movimentando quase R$ 43 bilhões em 2015, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos.  O estudo, intitulado “”Tratamento de amostras de cosméticos faciais para análise eletroquímica de cobre, chumbo e zinco” foi apresentado no Programa de Pós-Graduação em Química.
 
O acadêmico analisou nove amostras de cosméticos faciais, como batom, pó compacto e sombra em pó, adquiridas nos comércios juiz-forano e carioca. No laboratório do Núcleo de Pesquisa em Instrumentação e Separações Analíticas (NUPIS), as amostras foram tratadas com uma mistura de ácido nítrico e clorídrico sob aquecimento em chapa e em forno micro-ondas. Em seguida, foram analisadas as quantidades de metais encontrados nas amostras, atentando-se para os níveis de chumbo, cobre e zinco, os quais, se presentes em concentrações elevadas, podem acarretar riscos para a saúde, embora em quantidades menores sejam inofensivos.
 
Os resultados obtidos pela pesquisa foram satisfatórios, uma vez que nenhum dos produtos analisados apresentou taxas nocivas dos três elementos. “Todas as concentrações obtidas para o chumbo ficaram abaixo do limite estabelecido pela sociedade europeia (0,010 mg/g), sendo que ainda não existe uma legislação específica no Brasil que limite os níveis de concentração destes metais em cosméticos. O cobre e o zinco também foram encontrados em concentrações baixíssimas. Portanto, as amostras avaliadas, a priori, não oferecem risco à saúde humana, no que diz respeito aos metais analisados”, conta Lucas.
 
O pesquisador explica que outras técnicas são mais comumente utilizadas para determinar a presença de metais em amostras, como a espectrometria de absorção atômica com chama ou com forno de grafite, porém, o método eletroquímico apresentou algumas vantagens, como análises rápidas e baixo custo instrumental. Segundo o mestrando, “as determinações dos metais foram feitas empregando um método eletroquímico desenvolvido durante a execução do curso de mestrado. Esse trabalho abre caminho para o uso de técnicas eletroquímicas para a análise de substâncias presentes em amostras de cosméticos, que são bastante complexas de analisar.”
 
Componentes de cosméticos podem ser prejudiciais
 
Entre os metais analisados, o cobre e o zinco são essenciais para o ser humano, quando ingeridos em pequenas quantidades. O excesso do primeiro acarreta danos hepáticos e renais, além de irritação da mucosa, ao passo que o segundo é raramente tóxico, auxiliando no bloqueio de raios UVB e UVA, sendo largamente usado em protetores solares. Já o chumbo apresenta efeitos tóxicos, lesionando os sistemas neurológico, renal e hematológico.
 
Prestar atenção aos elementos que compõem os cosméticos consumidos e à quantidade destes presente nos produtos é importante para evitar complicações futuras, visto que os efeitos são, muitas vezes, cumulativos.  “Atualmente, é notória a preocupação de toda a sociedade com a beleza e o rejuvenescimento. Aliado à expansão do consumo de produtos cosméticos, há ainda a preocupação com a saúde, com isso a motivação deste projeto”, explica Lucas.
 
Banca examinadora:
Prof. Dr. Renato Camargo Matos – (orientador – UFJF)
Prof. Dr. Marcone Augusto Leal de Oliveira – UFJF
Prof. Dr. Wagner Felippe Pacheco – UFF
 
Outras informações: (32) 2102 – 3309 –  Programa de Pós-Graduação em Química
 
Fonte: UFJF